sábado, 27 de outubro de 2007

Demências@SantaCruz.com

Altas escarpas plantam-se entre vegetação e oceano, fazendo recordar as mais belas paisagens madeirenses ou da Serra da Arrábida. É chamado o Big Sur. Nunca chegamos a perceber a razão deste baptismo, mas também não importa muito pois a paisagem mantém-se fantástica e a costa sempre recortada, havendo mesmos pontos que só são ligados por enormes viadutos, fundeados no oceano. Mais umas milhas de estrada e estamos em Sta Cruz.
Esta foi uma das paragens que tínhamos definido previamente como obrigatória. E assim foi. No entanto, foi também um ponto de desilusão que guardámos, logo na primeira impressão... Sem ondas, sem grande movimento junto às praias urbanas, um pouco démodé da onda californiana... O alojamento também ajudou à "festa", definitivamente não foi uma boa escolha: motel típico, em forma de U, onde o átrio serve de parque de estacionamento. Os quartos estão distribuídos por R/C e 1º andar, até aqui tudo bem. Os "problemas" começam na recepção com um cheiro intenso a caril - a dona era uma sra. idosa de origem indiana, que falava um inglês bastante peculiar. Visita eliminatória típica aos quartos, e outra vez o cheiro... Desta vez não era a caril, mas sim a mofo. Mas não um mofo qualquer, bastante requintado, daqueles de reserva... Obviamente que não passou na nossa inspecção, mas a sra. - bastante dinâmica para a idade que aparentava, diga-se, deu-nos prontamente uma alternativa: uns "brand new bedrooms", que é como quem diz, com uma "remodelaçãozeca"... Mas pronto, como tinham um melhor aspecto, o cheiro não era intenso, como já estávamos exaustos e o preço até era convidativo, ficámos. O Mike não ficou muito convencido, mas ainda deu pra nos rirmos bastante, quanto mais não fosse com a família obesa e numerosa afro-americana que era a nossa pitoresca vizinhança!
Apesar da desilusão inicial, a noite rendeu bastante: grande repasto no peer de Sta Cruz, com as iguarias mais proximas das nossas, em toda a viagem e houve até quem comece algo de inovador: bife de tubarão à texana (mas há tubarões no Texas?! ainda hoje nos questionamos...). Seguimos para a downtown, com o isco de uma festa reggae, mas que à chegada optámos pela brewery de Sta Cruz, onde o movimento topava-se à distância! Jolas para cá, vodkas para lá, muitas babes loiras e dementes à mistura, que inclusivamente davam asas às suas veias lésbicas... É mesmo real, vimos 3 doidas num descambanço completo em pleno bar! Lindo! Até que por volta da meia-noite o estabelecimento encerrou... sim estamos nos States e os horários são atípicos para a nossa realidade. O que valeu foi que a "população" do bar migrou em peso para a tal festa reggae, do bar ao lado, mas onde apenas passou hiphop (o reggae era apenas marketing). A pista de dança era bastante escura e lá no meio valia quase tudo (!!!), por isso podem imaginar a demência que ia naquele bar...

Landscape...

O Big Sur


Para mais tarde recordar...

Discovery Channel...


Santa Cruz' Sk8er


O pior alojamento da viagem...

Não está fácil...


Anoitecer em Sta Cruz

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

De luto...


Interrompo aqui a escrita da nossa viagem à Califórnia, pois hoje acordei com a notícia de que a parte Sul deste Estado está em chamas. O cenário pelo que foi noticiado, assume contornos catastróficos, em particular em Orange County e San Diego. Segundo os últimos dados 500 habitações foram já destruídas, contabilizados 1 morto e dezenas de feridos e cerca de 45 mil evacuações implicadas. Mais de 250 mil habitantes foram ordenados a abandonar as suas residências.

Por tudo o que vivemos lá, pelo que esta viagem nos marcou e provavelmente por termos estado ou visto locais que hoje estão reduzidos a cinzas - tal como quem visitou NY antes do 11 de Setembro ou a Indonésia antes do Tsunami, aqui fica, em nome dos 6, o nosso tributo àquelas longuínquas e formidáveis terras...

Como na canção dos Red Hot, dizemos... "California rest in peace(...)".



terça-feira, 23 de outubro de 2007

De JohnBoy's a Morro Bay...

Dia 6: 20 de Agosto de 2007, iniciamos mais um dia subindo pela costa um pouco mais a Norte. Estamos na zona Centro-Sul da Califórnia, e seguimos o trilho da estrada nº1 deste Estado, que continua paralela e bem próxima do Pacífico. À medida que subimos vamos sendo presenteados constantemente com uma paisagem verdadeiramente edílica, cenários de vida selvagem e com poucos vestígios de urbanização. Desde golfinhos, esquilos, castores, elefantes-marinhos, comunidades gigantescas de gaivotas atrevidas, andorinhas-do-mar, pelicanos, vegetação verdejante e uma vez mais o Oceano como denominador comum.
Paragem em Pismo Beach. Uma vilazinha tranquila à beira-mar, com o típico peer e uma extensa praia. Entre surfadas, raquetes, banhos de sol, nós, os turistas, vão-se divertindo durante toda a tarde, até que o final de tarde juntamente com a brisa húmida que a partir daqui, até o ponto mais a Norte que fomos, não mais nos largou, nos obrigou a desertar. Chegava então a típica hora de conhecer um pouco da vida da vila, comer algo, dar uma vista-de-olhos nas lojas, até quando nos preparávamos para esse programa, e depois de largarmos a "trouxa" na van, eis que Gonçalo deixa as chaves dentro da viatura. Caldo entornado! Mas não muito porque estamos nos States e aqui há resolução para quase tudo! Fomos à Police Station mais próxima e lá nos deram um número de telefone de uns tais "JohnBoy's" que resolvem estes 31s. Assim fo, ligámos e lá apareceu o "JohnBoy", no seu truck artilhado de ferramentas e em 5/7 minutos, lusco-fusco, a carrinha estava aberta. Uff...
Paragem obrigatória num outlet da zona e segue-se para cima, destino: Morro Bay - um dos locais que iria ficar registado no nosso top+. Tal como o nome indica, Morro Bay é uma baía que se estende com um morro gigantesco, de origem vulcânica, à sua frente. À chegada o tempo está bastante "manhoso", nevoeiro, alguma chuva, o que torna a noite meio desagradável, mas que fica recomposta com umas óptimas comidas italianas de uma simpática pizzaria, que pelo facto de termos conseguido que nos servissem, aos seis, às 9pm, foi um jantar com um sabor bem especial, diria mesmo com sabor a vitória!
Dia 7: Acordamos com as condições metereológicas bem mais favoráveis, o que nos permitiu desfrutar melhor da vila. Morro Bay é mesmo simpática, acolhedora com particular destaque para o seu porto pitoresco, com bares de madeira antigos, mas restaurados. Uma espécie de lagoa desenha-se então no limite do porto até ao dito morro, onde depois se inicia o oceano. Lojas de surf, que fazem as delícias de todos, misturam-se com restaurantes de especialidades relacionadas com o mar.
Após um belo pequeno-almoço de panquecas, bagles e café, continuamos a rumar a Norte, onde percorremos uma das mais singelas e fantásticas estradas junto do Pacífico...


Welcome to Pismo Beach...

Contemplação...

Pismo Beach para a posteridade

Bem sacada, Mike! ;)

E agora?! Chavezinha dentro da carrinha trancada...

«Que é que eu fui fazer...»

Felizmente havia JohnBoy's!

Happy end...

domingo, 14 de outubro de 2007

Finalmente a praia...

Nunca tinha atravessado um deserto, nem mesmo o da Margem Sul, porque esse não é bem um deserto, só mesmo na cabeça do ministro... Atravessar o deserto de Mojave, ou Vale da Morte como é conhecido, durante o dia é mais uma experiência para coleccionar desta viagem! A paisagem é bastante agreste e seca, o que dá para perceber bem o significado do nickname do deserto. Nestas paragens dificilmente há vida - temperatura do demo, vegetação rasteira e muito, muito pó...
Mais 5 horas de viagem e estamos de volta à metrópole de LA. Desta vez não para ficar, mas apenas de passagem para a Pacific Coast Highway (PCH) - via rápida que preenche grande parte da costa californiana. Destino: Malibu. Centenas de milhas e estamos de volta à costa, e já naquela mítica localidade. Malibu é um clássico da Califórnia. Intimamente ligada ao surf, conhecida pelas suas famosas longas direitas, propícias para o longboard e onde os Beach Boys se terão inspirado, certamente, para as suas melodias. Paramos para procurar alojamento e para tentar absorver o ambiente, restabelecer forças, mas o cenário de desilusão instala-se. Apenas belas casas junto à praia ou nos montes adjacentes à costa, algumas lojas e a PCH... A desilusão aumenta à medida que percebemos que o swell não pára ali e que as praias não são muito aprazíveis...
Decidimos subir pela costa e pelas 8 p.m. chegamos a Sta Barbara. Valeu a pena o esforço de mais umas horas de estrada, ainda mais porque as paisagens são esplêndidas. Mas Santa Barbara merece a nossa atenção, e ao fim de um dia de viagem somos "coroados" com esta bela surpresa de vila! Muita "vida", gente nova a indiciar-nos diversão... Decidimos ficar. Depois de muito procurar, encontramos já nos confins da vila um Motel de chinocas, onde conseguimos um quarto confortável para os 6.
É noite de Sábado e Sta Barbara está ao rubro, cheia de gente e com uma grande oferta de bares agitados e bem frenquentados... Alinhamos no cenário! Bar, música, Buds e lá estavam os "portugas" a sentir o calor das gentes da California, em particular delas, que como dizem os nossos "irmãos brasucas", soltam bem o frango!
Dia 5: Mais um dia em Sta Barbara, que coincide com a nossa estreia de praia. Escolhemos uma prainha calma e agradável para passarmos o dia e nos baptizarmos no Oceano Pacífico, pelo menos para mim, Andreia e Filipe, pois os restantes já se tinham estreado pela manhã numa surfada. Passamos o dia nisto, entre banhos de mar e sol, raquetes e galhofa, e chegamos à tardinha à vila onde nos dedicamos às shops... À noite já não se passa grande coisa, porque estamos num domingo e talvez se trabalhe amanhã por estas bandas, por isso regressamos aos nossos aposentos depois da janta.

Que senhor!

A travessia do deserto...

Pacific Coast Highway

A 1ª surfada

Santa Barbara

California - Clássico

Dilema?!

Ah, nada disso!
Davas-lhe um tau-tau, não davas? :)

"Old Town"

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Ocean's six!

LA vai ficando para trás, a luz do dia vai-se aos poucos camuflando no escuro... Contornamos a metrópole por artérias circundantes aos arranha-céus e outras construções que formam o coração urbano da cidade dos anjos. O trânsito é intenssíssimo nas múltiplas faixas de rodagem que formam as Highways norte-americanas, mas a nossa Chevy mantém-se firme e pronta para 5 horas de viagem pelo Deserto de Mojave, com destino a Las Vegas! Oh yeah baby! Bling, bling! Tufas! Aí vão os 6 tugas tentar a sorte na Meca do gambling!
2 a.m., chegada a Vegas, calor brutal! Cidade "sauna", impressionante! Àquela hora estavam cerca de 40ºC... Não obstante as condições climatéricas, a entrada na cidade deixa-nos perplexos. Parece que entramos noutra galáxia. Eu também não achava nada fascinante ver aquele folclore todo nos filmes e séries, mas estando lá é fantástico! Só sentindo aquela atmosfera dá para perceber o poder desta cidade. É como se de repente acordássemos fizéssemos parte da equipa do Daniel Ocean... Depois de passarmos o êxtase, percebemos que temos de encontrar o "Circus Circus" Hotel. Encontramos o "dito-cujo", depois de algumas milhas ao longo da "The Strip", a avenida-epicentro do jogo. Check-in. Quartos. Bafo insuportável. 2 resistentes - Gonzo e Inês - ainda têm pedalada para um giro pelas Vegas, às 3 a.m. Os restantes ficaram a descansar, no hotel mais confortável até ao momento...
Dia 3: Acordar em Vegas. Mais um dia de sauna, para cima de 40ºC à sombra. Pequeno-almoço de Bagles e outros afins breakfast, e seguimos para um tour pedonal pela cidade do Gambling. O ar é quase irrespirável, o céu meio nublado o que complica ainda mais a situação. Recto pela a avenida, hotel sim, hotel sim, casino sim, casino sim. Lojas caras, obesos, casinos... Aqui vê-se de tudo, pessoas de todo estratos sociais, raças ou crenças. Neste pedaço de território norte-americano pode-se ficar num hotel com boas condições (mínimo 3*) por $40, comer que nem um americano (até mais não) por $12, passear por Veneza, NY, Paris, Londres, ver cascatas de tamanho e aparência real, entrar em castelos, ver barcos de piratas, lançar uma moeda na Fontana di Trevi ou até mesmo passar junto da estátua e pirâmide da Cleópatra. O conceito é simples: fazer com que os visitantes sintam realmente a dimensão de um luxo ao seu alcance, a troco de umas dezenas de dólares e assim se sintam como se estivessem no mesmo patamar que qualquer rico e que lá torrem mais umas dezenas, centenas, milhares de "tostões"... É mesmo imenso o dinheiro que ali circula. É uma cidade que vive do jogo, para o jogo. Impressionante, sem dúvida.
Está na hora de jantar e decidimos ir a um dos buffets onde se pode comer como se não houvesse amanhã (para não variar). Há um pouco de tudo, excepto as iguarias lusitanas, como seria de esperar. Claro está, que tudo tem o típico toque americano: ou frito, ou com molhos ou com qualquer outro ingrediente terrivelmente não saudável. Famílias mexicanas, filipinas, panamianas, afro-americanas deleitam-se com aquele folclore gastronómico que tão bem contribui para a "epidemia" do século: a obesidade. Um português cheínho, aqui, sente-se agradavelmente elegante! Os obesos são mesmo obesos; mas também com este tipo de alimentação não é fácil trabalhar para a linha...
Findo o jantar, está na hora dos jovens portugueses irem tentar também a sua sorte! Avenida acima e...Tufas!Bellagio! Não fizemos por menos... Fomos parar a um dos mais famosos e luxuosos casinos de Vegas. Sim, aquele que aparece no filme Ocean's 11! Entre pokers e roletas, lá tentámos a nossa sorte. Uns melhor sucedidos que outros, mas a diversão foi garantida!
4º Dia: Pequeno-almoço XXL em Vegas e siga! Voltar à costa californiana...


Veneza? Mas isso não é em Itália?!

The Crew...

Um modesto complexo hoteleiro...

"The Strip"

Playboy store :D

Vermelho, ímpar, 1ª coluna! Gambling!

Cheers@Bellagio

Comentem vocês...

Neons e gajas boas!

Truck driver?

O nosso casino. Ups, hotel...

Blin-blin!